Os diferentes tipos de parto: conheça as características de cada um

É fundamental que a mulher conheça as opções disponíveis, para que, informada, possa decidir o que considera melhor para ela

 

O Brasil é considerado hoje o líder em cesáreas. Enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 15% dos nascimentos sejam via cesariana, no País, na rede privada, as taxas chegam aos assustadores 82% e, na rede pública, a 52%.

Milena Brandão Seko, mãe de duas filhas, bióloga, doula, coordenadora do grupo de apoio ao parto ativo Gesta Maringá e consultora em aleitamento materno, comenta que o Brasil culturalmente é o país da cesariana, “onde a grande maioria das mulheres opta por esse tipo de cirurgia sem ao menos sequer saber dos fatores de risco/benefício para o binômio mãe/bebê”, diz.

Paralelamente a isso, destaca Milena, faltam informações a respeito da via natural de parto (vaginal) – o qual é cercado de mitos. “Na verdade, a luta no nosso país tem ido na contramão dos outros países, onde temos de lutar pelo direito de se ter um parto normal, já que aqui a via de parto tradicional é a cirúrgica”, explica.

É neste contexto, num país onde a maior parte dos nascimentos é feita através de cesariana, que muitas mulheres – por decisão própria ou até por certo “incentivo” de alguns profissionais – acabam nem pensando em outras possibilidades e têm seus filhos por meio de cesárea.

Alberto Jorge Guimarães, ginecologista e obstetra pela Faculdade de Medicina em Teresópolis e mestre pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), defensor dos conceitos de Parto Humanizado, destaca que, primeiramente, é preciso entender que o parto é da mulher. “Então ela tem o direito de planejar, de expor o que deseja. No pré-natal, é muito importante um planejamento do que ela espera. Muita gente acha hoje que ‘perdeu esse direito’ de optar pelo tipo de parto que deseja, mas não é verdade”, diz.

Mas, no caso das mulheres que optam pela cesárea, alerta o obstetra, o maior cuidado é de não marcá-la antes do tempo, simplesmente numa data que se achar conveniente.

Guimarães comenta que, apesar do grande número de cesáreas realizadas no Brasil, de um tempo para cá existem alguns movimentos que visam a retomada do parto normal. “Em São Paulo, através do programa Mãe Paulistana – Parto Seguro, do qual faço parte, conseguimos aumentar muito o número de partos normais”, diz.

“Acho muito bonito, interessante este movimento de resgatar o parto normal, o parto natural… Percebo que a maioria das mulheres que opta por este tipo de parto se sente muito mais segura do que aquelas que nem tentaram. Acho muito importante os profissionais ajudarem as mulheres a entenderem que são capazes, que ‘dão conta’, que nem sempre precisam de intervenções”, acrescenta o obstetra.

Milena destaca que defende “sempre o direito à escolha informada por parte da mulher sobre a forma de dar à luz”.

Exatamente por isso é fundamental que as mulheres saibam mais sobre os diferentes tipos de parto existentes, para que, informadas, possam decidir o que consideram o melhor para elas.

 

Diferentes tipos e denominações de parto

Veja a seguir os detalhes sobre cada maneira de dar a luz a um filho:

1. Parto Natural

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Ariane Munhoz, enfermeira da AzimuteMed, explica que esse é o tipo de parto em que o bebê também nasce via vaginal, “mas difere do parto normal pois é realizado sem intervenções, como analgesia, uso de ocitocina para estimular as contrações ou procedimentos como a episiotomia”.

Neste método, acrescenta Ariane, o atendimento é centralizado na mulher, onde as suas necessidades e suas escolhas são respeitadas, sendo, assim, humanizado. “Desta forma, a gestante pode escolher o local aonde deseja dar à luz, por exemplo, em casa, ou também no hospital. Escolher quem deseja acompanhá-la neste momento tão importante é essencial e, neste caso, é respeitado”, diz.

Guimarães reforça que neste tipo de parto não há praticamente interferência. “O procedimento é somente assistido, não deixa a mulher ‘de lado’… Espera ela entrar em trabalho de parto, parir espontaneamente, não tem medicalização etc. É um processo mais da mãe”, diz.

Mas, esclarece o obstetra, às vezes até num parto humanizado pode haver intervenções, se a mulher precisar de ajuda. “Isso não significa que deixará de ser humanizado. Mas, se a mulher toma água, tem a liberdade de gemer, pode se mexer, mudar de posição… é um parto humanizado sem ser necessariamente natural”, diz.

Além disso, Guimarães destaca que muita gente tem uma ideia errada sobre o parto natural. “Pensa que é uma ‘coisa largada’, ‘de hippie’, mas não é isso. Um parto natural pode ser um parto hospitalar, respeitando a privacidade da mulher, da forma mais natural possível”, diz.

2. Parto normal

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Também é conhecido como parto vaginal, pois a saída do bebê é via vaginal. Ariane explica que é de início espontâneo e o bebê nasce com apresentação cefálica, ou seja, sua cabeça está posicionada na pelve, pois já está preparado para o nascimento.

“Mesmo se encontrando na posição correta, podem ocorrer dificuldades na saída do bebê e, nestes casos, pode ser realizada uma episiotomia – um corte cirúrgico feito no períneo, a região muscular que fica entre a vagina e o ânus. É importante que este procedimento seja realizado apenas conforme necessidade”, destaca Ariane.

Neste tipo de parto, além da episiotomia (para facilitar a saída do bebê), podem ser utilizadas, em alguns casos, analgesia e indução das contrações com soro contendo ocitocina. Para que este tipo de parto aconteça, deve estar tudo bem com a saúde da mãe e do bebê.

Guimarães destaca que os benefícios do parto normal são inúmeros. “Para o bebê: garantia de um pulmão maduro; contato com a mãe nos primeiros momentos de vida; oportunidade de sugar o peito; menos chances de doenças respiratórias etc. Para a mãe: menos risco de hemorragia; recuperação mais rápida; acompanhamento do parto e finalização de um ciclo da vida (da gravidez); contato mais rápido com o bebê, entre outros”, diz.

3. Parto na água

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Ariane explica que parto na água é aquele onde o nascimento do bebê acontece com a mãe imersa em água, numa banheira ou piscina. “A barriga deve ficar totalmente encoberta pela água… E o pai pode ficar dentro da banheira ou piscina para apoiar a gestante neste momento importante”, diz.

A enfermeira destaca que a gestante é colocada numa banheira repleta de água morna durante o trabalho de parto. “Geralmente, ela entra na banheira quando o trabalho de parto progride e a dor aumenta”, diz. “A orientação geralmente é que a gestante entre na água após uma dilatação do colo uterino maior que 5 cm e sentindo contrações uterinas frequentes e intensas (mais de 2 a cada 10 minutos)”.

Algumas pessoas têm certo receio em relação a este tipo de parto e questionam “Será que meu filho não vai se afogar?”. Mas, isso não acontece, pois, quando o bebê nasce, ainda respira pelo cordão umbilical por pelo menos vinte segundos, durante os quais expande seus pulmõezinhos lentamente.

4. Parto de cócoras

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É realizado da mesma maneira que o natural, muda-se apenas a posição da mãe que, em vez de ficar na posição ginecológica normal, mantém-se de cócoras. “É geralmente um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade devido à posição vertical. Sendo, assim, geralmente mais cômodo para a mulher”, diz Ariane.

Este tipo de parto respeita o processo fisiológico do parto, assim como as necessidades e desejos da gestante, conforme destaca Ariane. “Também é humanizado, pode ser realizado no local de preferência da gestante, existe a participação do companheiro e possui algumas vantagens como a ausência de métodos invasivos para alívio da dor, a liberdade de movimentos dada à mulher no momento do nascimento da criança e a recuperação imediata”, diz.

5. Parto a fórceps

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Ariane explica que um parto a fórceps ocorre quando um parto normal evolui com dificuldades para a saída do bebê. “Fórceps é um instrumento formado por duas partes alongadas e conectadas que se curvam nas pontas para abrigar a cabeça do bebê”, diz.

A enfermeira explica ainda que é necessária a realização de episiotomia no períneo para a introdução do fórceps e o posicionamento na cabeça do bebê. Com o fórceps ajustado, o profissional puxará enquanto a mulher fizer força para empurrar o bebê durante uma contração.

“Diferentes motivos podem levar ao uso deste método, como situações em que haja sofrimento fetal ou a mãe não esteja mais conseguindo fazer força”, diz Ariane.

Antigamente, o uso de fórceps era sinônimo de sofrimento, mas, hoje, o instrumento tem um papel inverso, aliviando o trabalho do parto e poupando desgastes da mãe e do bebê, se necessário.

Apesar disso, é considerada uma técnica polêmica, de acordo com Ariane, pois o parto com fórceps poderia oferecer um risco maior se o instrumento não for utilizado de forma correta, causando lesões para a mãe e para o bebê.

6. Parto Leboyer

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Também chamado de “parto sem violência”, é um tipo de parto onde se tenta não estressar o bebê, tornando sua primeira experiência fora do útero menos “traumática”. Foi criado pelo médico obstetra francês Frédérik Leboyer e introduzido no Brasil na década de 1970.

A ideia é que o nascimento seja feito num ambiente tranquilo, e o mais “parecido” possível com o útero materno. Para isso, Ariane explica que são utilizados pouca luz (para não incomodar o bebê); silêncio (principalmente depois do nascimento); ambiente quente (como o abdômen da mãe), a fim de atenuar o impacto da diferença entre o mundo intrauterino e extrauterino etc. A amamentação é precoce e o banho, realizado junto com os pais.

7. Parto humanizado

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Milena destaca que parto humanizado é uma atitude e não um método. “A mulher é a protagonista do nascimento do seu filho, onde as suas escolhas são respeitadas e discutidas com profissionais com essa visão, usando da medicina baseada em evidências científicas”, diz.

“Por exemplo, a mulher não é chamada de ‘mãezinha’, mas, sim, pelo nome, pois ela tem uma identidade e é única. Dessa forma, o atendimento é individualizado e não padronizado. E isso é realmente um desafio, pois é necessária uma mudança de mentalidade como um todo”, diz Milena.

doula acrescenta que, no parto humanizado, “a posição para parir vai ser respeitada, o tempo mãe/bebê para o nascimento vai ser respeitado, o local de nascimento (numa banqueta de parto, na banheira ou no leito) serão respeitados e o períneo não vai ser cortado sem o consentimento (episiotomia) da gestante. Essa mulher também tem liberdade para se alimentar e se movimentar durante o trabalho de parto”, diz.

De uma forma resumida, parto humanizado refere-se ainda a um parto que é tratado como um processo fisiológico normal que, somente numa minoria dos casos, necessita de intervenções.

No parto humanizado, o profissional responsável pelo atendimento é um “guia” do processo, pois trabalha em parceria com a mulher e respeita as escolhas dela dentro do possível, orientando as decisões e não simplesmente impondo protocolos.

8. Cesárea

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A cesariana é feita por via transabdominal, ou seja, com a incisão do abdômen da mãe em várias camadas até encontrar o feto dentro do útero e retirá-lo por esta incisão. Usa-se anestesia, geralmente a raquidiana. Depois que o bebê é retirado, ocorre a retirada da placenta e a sutura de cada plano aberto.

Ariane explica que a cesárea é uma cirurgia de médio ou grande porte e um procedimento invasivo. “É uma tecnologia criada originalmente para ser usada somente quando houver risco de vida para o bebê ou para a mãe”, diz. De acordo com a OMS, a taxa ideal de cesáreas deve ficar em torno de 7% a 10%, não ultrapassando 15%.

Alberto Guimarães destaca que a cesárea é indicada em casos que podem levar a riscos. “Como, por exemplo, descolamento de placenta… Aí a cesárea vai ser a salvação para o bebê respirar; eclâmpsia (condição rara que provoca convulsões durante a gravidez); durante o parto normal quando o bebê não ‘desce’, pois a posição não deu certo para ele nascer e isso está represando risco à vida dele; quando o neném está na transversal… Nesses casos são indicações precisas e a cesárea terá bom uso”, diz.

Porém, a cesárea realizada de forma indiscriminada, pode trazer sérios riscos à saúde da mãe e do bebê.

 

Fonte: Dicas de Mulher

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